Boas-Vindas

Olá! Espero com este blog poder esclarecer alguma dúvida que exista/subsista e/ou complementar algum conhecimento anteriormente adquirido. Se quiser comentar, sugerir ou perguntar algo não deixe de o fazer, encontro-me sempre disponível.
Volte sempre...


Mostrar mensagens com a etiqueta Patologias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Patologias. Mostrar todas as mensagens

domingo, 31 de outubro de 2010

Frieiras


O que fazer para prevenir frieiras
As frieiras são muitas vezes o resultado da exposição da pele a temperaturas baixas. Esta fica com uma cor avermelhada e por vezes até azulada. Os dedos das mãos e dos pés, o nariz e as orelhas são normalmente as zonas mais afectadas. Pode também aparecer, embora com menos frequência, nos cotovelos, joelhos e partes inferiores das pernas. A pele fica com uma inflamação que causa dor, inchada e vermelha, sente-se uma comichão que não passa mesmo se coçarmos.
 Nos casos mais graves, as frieiras podem causar bolhas e feridas. É uma doença que não é grave, mas pode ser muito incomodativa causando também algum sofrimento. As pessoas que mais sofrem com este mal são as que possuem uma má circulação sanguínea e quando está frio estas tem mais dificuldade de manter aquecidas as extremidades do corpo. Os idosos e as mulheres são o grupo mais afectado.
Tratamento
  1. Para tratar este mal, deve evitar andar ao frio e manter as áreas afectadas confortáveis, quentes e secas.
  2. A pele com frieiras não deve estar junto ao fogo nem a fontes de calor, pois podem se agravar. 
  3. Deve fazer uma massagem suave na zona afectada para activar a circulação. 
  4. Por muito que tenha vontade, não coce as áreas atingidas para não fazer ferida. 
  5. As frieiras curam-se com a chegada do tempo mais quente, até lá deve manter as extremidades do corpo aquecidas e evite exposições prolongadas de frio. 
  6. Se tiver tendência para sofrer de frieiras deve proteger-se do frio, cobrindo as zonas afectadas com roupa de preferência de lã. 
  7. A casa deve estar bem aquecida, e quando sair para a rua use roupas adequadas (luvas, calçado apropriado, gorros de lã, etc.). 
  8.  Se as frieiras persistirem, consulte um médico, que lhe poderá receitar uma pomada para acalmar a irritação.

Conjuntivite



A conjuntivite é a doença ocular causada pela inflamação e/ou infecção da conjuntiva, fina membrana que recobre parte dos nosso olhos. Os principais sintomas da conjuntivite são os olhos vermelhos, dor e lacrimejamento.

O que é a conjuntiva?

Vamos entrar em detalhes. A conjuntiva é uma fina membrana transparente que recobre a parte interna das pálpebras e a esclerótica, que é a parte branca dos nosso olhos. Aqueles pequenos vasos sanguíneos que conseguimos ver na parte branca dos olhos (esclera) e na parte de dentro das pálpebras, estão, na verdade, na conjuntiva. Vejam as fotos abaixo (clique para ampliar)
Conjuntiva
vasos sanguíneos da conjuntiva recobrindo a esclera
Conjuntiva
Esclera recobrindo pálpebra
Quando a conjuntiva se inflama, esses minúsculos vasos se tornam mais proeminentes, dando o característico aspecto de olhos vermelhos.
Sintomas da conjuntivite

Os primeiros sintomas da conjuntivite costumam ser ardor, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos e de "colamento" das pálpebras ao acordar. Em pouco tempo os olhos tornam-se vermelhos e a secreção pode se tornar purulenta.

Conjuntivite

Outros sintomas comuns são o comichão nos olhos, dor, inchaço nas pálpebras e intolerância a luz forte.

O que causa conjuntivite?

Existem basicamente 3 tipos de conjuntivite:

- Conjuntivite viral
- Conjuntivite bacteriana
- Conjuntivite alérgica

a.) Conjuntivite viral

É a forma mais comum de conjuntivite, normalmente causada por um vírus chamado Adenovírus. Pode vir acompanhada por outros sintomas de virose como febre, dor de garganta e outros sintomas de infecção respiratória. 

A conjuntivite viral é extremamente contagiosa, sendo transmitida através de mãos contaminadas por secreções oculares. A conjuntivite é tão contagiosa que se um paciente coçar os olhos e tocar em um objeto, outras pessoas podem se contaminar através deste.

O quadro normalmente começa em um dos olhos, transmitindo-se para o outro 24 a 48 horas depois. A conjuntivite viral é auto-limitada, curando-se sozinha após 7 a 10 dias, sem necessidade de tratamento.

b.) Conjuntivite bacteriana

A conjuntivite bacteriana é bem menos comum que a conjuntivite viral; é normalmente causada por uma destas cinco bactérias Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis e Pseudomonas aeruginosa.

Staphylococcus aureu

Streptococcus pneumoniae


Haemophilus influenzae


Moraxella catarrhalis


Pseudomonas aeruginosa

A transmissão da conjuntivite bacteriana se dá da mesma maneira que a conjuntivite viral, através do contato com secreções contaminadas. Ao contrário da forma viral, a bacteriana precisa de tratamento para melhorar.

Toxoplasmose

A toxoplasmose é uma doença causada pelo parasita Toxoplasma gondii, presente em todo o planeta e com elevada prevalência na população mundial. Para se ter ideia do quão comum é a infecção pela toxoplasmose, estima-se que cerca de 1/3 da população mundial já tenha entrado em contacto com este parasita. E a toxoplasmose não é uma doença restrita apenas a países em desenvolvimento; cerca de 80% da população de Paris e 70% dos americanos apresentam sorologia positiva para o verme.

Toxoplasmose - Toxoplasma gondii
Toxoplasma ao microscópio

Mas se a toxoplasmose é uma doença tão comum, por que ouvimos falar tão pouco nela? Na verdade, o sistema imune da maioria das pessoas é forte o suficiente para impedir que o Toxoplasma gondii consiga nos fazer algum mal. Este fato explica o porquê de grande parte da população ter anticorpos IgG contra a toxoplasmose (explico o que é IgG toxoplasmose mais abaixo), sem nunca sequer suspeitar ter tido contacto com o parasita.



A grande preocupação em relação a toxoplasmose está nas mulheres grávidas e nos pacientes imunodeprimidos, ou seja, com sistema imune debilitado como transplantados, HIV positivo, pacientes em quimioterapia ou em uso de drogas imunossupressoras.



Transmissão da toxoplasmose



O parasita Toxoplasma gondii pode contaminar qualquer animal de sangue quente, incluindo os seres humanos, porém, é apenas nos gatos que ele consegue completar seu ciclo reprodutivo. Em outras palavras, qualquer mamífero ou ave pode ter toxoplasmose, mas o parasita só produz ovos (chamados de oocitos) dentro dos intestinos dos gatos. Chamamos os felinos de hospedeiros primários; todos os outros animais são hospedeiros intermediários, pois só possuem o parasita adulto em seu organismo.




O ciclo de transmissão da toxoplasmose ocorre da seguinte maneira: um gato ingere o Toxoplasma gondii;este que se aloja em seus intestinos e passa a se reproduzir, liberando ovos (oocitos) de toxoplasma pelas fezes. Estes ovos ficam no solo até que algum animal os ingira. No caso dos humanos, a ingestão destes ovos costuma de dar pela contaminação das mãos no solo, seguido pelo contacto destas com a boca. Na verdade, todas as doenças causadas pela via fecal-oral, como, por exemplo, hepatite A  e H. pylori , costumam ser transmitidas por mãos inadvertidamente contaminadas por fezes.




Comer alimentos como frutas e verduras originários de solo contaminado por fezes de gatos também é uma via de transmissão. Lavar bem os alimentos antes de comê-los é uma medida eficaz para se reduzir a transmissão da toxoplasmose.




O parasita toxoplasma gondii parece também ser transportado por moscas e baratas que, ao terem contacto com fezes de gatos contaminados, conseguem transportar os oócitos por longas distâncias.


Um dado importante é fato do oócito só se tornar infectante após 24-48 horas no solo. Por isso, é importante limpar diariamente as caixas de areia dos gatos a fim de evitar que os ovos do toxoplasma se tornem viáveis para transmissão.

Os outros animais, apesar de não disseminarem ovos de toxoplasma pelo ambiente como os gatos, também podem ser vias de transmissão da toxoplasmose. Uma vez que o parasita se aloja nos tecidos dos animais contaminados, basta comermos carnes mal passadas destes para que o toxoplasma entre em nosso organismo. 


Os principais carnes com risco de transmissão são as de porco, carneiro e veado. É importante ressaltar que o animal não precisa estar doente para ter o toxoplasma em seus tecidos. Assim como ocorre em nós humanos, havendo um sistema imune intacto, o toxoplasma fica presente nos animais sem causar doença, apenas adormecido em seus tecidos. Se sua carne não for bem cozinhada, o parasite sobrevive e contamina o trato digestivo de quem o está ingerindo.



O simples acto de manusear carne crua com toxoplasma é suficiente para contaminar mãos e utensílios de cozinha como facas e pratos. Um cozinheiro que prepara uma carne com toxoplasma, se não lavar as mãos, pode contaminar a si próprio e também outros pratos que venha a preparar.


O terceiro modo de transmissão da toxoplasmose é pela transfusão de sangue ou pelo transplante de órgãos de doadores contaminados para receptores não contaminados.



Ainda existe a via de transmissão durante a gravidez, mas desta falaremos separadamente em outro texto a ser publicado brevemente.


Sintomas da toxoplasmose 


Até 90% das pessoas sadias que se contaminam com o toxoplasma gondii, independentemente da via de transmissão, permanecerão assintomáticas indefinidamente. Nas aquelas poucas pessoas imunocompetentes, ou seja, com sistema imune sadio, que venham a desenvolver a doença toxoplasmose, o quadro clínico costuma ser brando, com sintomas semelhantes a um quadro gripal inespecífico com febre, dor muscular, cansaço, dor de cabeça e rash cutâneo.




O sintoma mais característico é um aumento dos linfonodos (gânglios) do pescoço. Até 30% dos casos sintomáticos costumam ter linfonodos aumentados por todo o corpo. Alguns casos apresentam também dor de garganta, ficando muito semelhante a uma mononucleose.


Ao contrário de quadros virais comuns, a toxoplasmose sintomática costuma durar algumas semanas, em alguns casos, até meses.


Raramente a toxoplasmose pode causar problemas mais graves em pacientes sadios como lesões nos pulmões, coração e nos olhos, chamados respectivamente de pneumonite, miocardite e corioretinite.

Independentemente de haver sintomas ou não logo após a contaminação, o paciente imunocompetente que adquire o parasita permanece com ele adormecido nos tecidos do corpo, geralmente músculos e tecidos nervosos, pelo resto da vida. O toxoplasma permanece anos inactivado, controlado pelo sistema imune, somente à espera de qualquer problema que reduza nossas defesas naturais para voltar a atacar nosso corpo.


Sintomas da toxoplasmose em pacientes imunocomprometidos


Pacientes imunocomprometidos são aqueles que apresentam um sistema imune fraco, como nos seguintes casos:

- HIV e AIDS (SIDA) 

- Câncer e quimioterapia 

- Pacientes transplantados
- Pacientes em uso de drogas imunossupressoras como corticóides 


Toxoplasmose cerebral
Toxoplasmose cerebral

Neste grupo de pacientes, a toxoplasmose é uma doença muito grave, uma vez que o sistema imune é deficiente e incapaz de impedir a proliferação do parasita.


Nos imunodeprimidos, a toxoplasmose pode ser uma doença recentemente adquirida, mas é na maioria das vezes uma reactivação de uma infecção crónica que passou anos em silêncio enquanto o sistema imune ainda estava intacto, e agora, aproveita-se da baixa imunológica para atacar o organismo.


A lesão cerebral pelo toxoplasma é das mais comuns em pacientes imunodeprimidos. Os sintomas da toxoplasmose cerebral incluem convulsões), alterações na marcha, na fala, nos movimentos dos membros e no estado mental, podendo, muitas vezes, ser confundido com um AVC . O paciente pode também apresentar demência e até evoluir para o coma.


Outras lesões comuns da toxoplasmose em pacientes imunodeprimidos é a corioretinite, que causa dor ocular e perda da visão; pneumonite, que cursa com febre, falta de ar e tosse seca; miocardite, com sintomas de insuficiência cardíaca. Se não tratada, a toxoplasmose pode levar os imunossuprimidos ao óbito.


Diagnóstico sorológico da toxoplasmose


O diagnóstico da toxoplasmose é normalmente feito pela sorologia, ou seja, pela dosagem de anticorpos contra o toxoplasma gondii.




Abro aqui uma rápido parêntese para explicar como funciona a sorologia da toxoplasmose (e de várias outras doenças infecciosas). O raciocínio é o seguinte: o nosso corpo só cria anticorpos contra um determinado germe se formos expostos ao mesmo. Portanto, ter anticorpos contra toxoplasmose significa ter sido contaminado pelo parasita.


Para resumir um processo extremamente complexo, podemos dizer que nosso corpo trabalha basicamente com dois anticorpos, chamados de IgM e IgG. Assim que um germe novo entra em nosso corpo, nosso sistema imune começa a produzir o anticorpo IgM, que é chamado de anticorpo de fase aguda.


 Ter IgM positivo para toxoplasmose significa que a doença foi adquirida muito recentemente (o IgM surge com apenas 1 semana de contaminação). Depois de mais ou menos 4 semanas, o corpo substitui o anticorpo IgM pelo anticorpo IgG, que é mais forte e mais específico contra a doença pretendida. Portanto, depois de 4 semanas, o paciente deixa de ter IgM positivo e passa a ter apenas IgG positivo para toxoplasmose. Esta IgG para toxoplasmose ficará positiva pelo resto da vida.


Resumindo, um paciente com toxoplasmose aguda tem IgM positivo, enquanto que um paciente que possui o parasita inativo no corpo apresentará IgG positivo. Quem nunca foi exposto ao toxoplasma tem IgM e IgG negativos.


Como a toxoplasmose não causa doença em 90% das pessoas, o único modo de saber se o paciente já foi exposto ao toxoplasma é através da dosagem do IgG para toxoplasmose. Saber se a pessoa já teve toxoplasmose, mesmo que assintomática, é uma informação muito importante no caso das grávidas (Um texto específico sobre toxoplasmose na gravidez será publicado até o dia 10.08.2010).

Tratamento da toxoplasmose 

Obviamente, pessoas com toxoplasmose assintomática não precisam de nenhum tipo de tratamento. Ter o toxoplasma inativo no corpo não significa estar doente. O tratamento também não está indicado naqueles com sintomas discretos, tipo gripe fraca, que duram poucas semanas.

O tratamento está indicado apenas nos casos sintomáticos, nos imunodeprimidos e nas grávidas. O esquema de primeira linha é feito com Pirimetamina + Sulfadiazina ou Pirimetamina + Clindamicina por 4 a 6 semanas.

Pacientes imunossuprimidos graves devem fazer profilaxia para impedir a reativação do toxoplasma. O esquema é o mesmo, apenas com doses mais baixas.


Crise convulsiva e epilepsia


Saiba o que é epilepsia, por que ela ocorre, quais as suas manifestações e entenda a diferença entre convulsão (crise convulsiva) e epilepsia. 

Nosso cérebro contém bilhões de neurônios que se comunicam e exercem suas funções através da geração constante de impulsos elétricos. A crise convulsiva, ou crise epilética, surge quando ocorre um distúrbio na geração destes impulsos elétricos cerebrais, normalmente causada por uma temporária atividade elétrica que é desorganizada, excessiva e repetida.

Epilepsia
Se este distúrbio elétrico ficar restrito a apenas um grupo de neurônios, o paciente apresentará uma crise convulsiva parcial (crise epilética parcial). Se estes impulsos anômalos se espalharem, atingindo os dois hemisférios cerebrais, teremos, então, uma crise convulsiva generalizada.

Crise convulsiva x epilepsia 

Damos o nome de epilepsia quando o paciente apresenta mais de 1 episódio de crises convulsivas parciais ou generalizadas, sem que se identifique uma causa óbvia e reversível como drogas, febre ou alterações metabólicas. Por exemplo, uma pessoa que consumiu bebidas alcoólicas em excesso e apresenta uma quadro de crise convulsiva, não é considerado epilética. Do mesmo modo um diabético em uso de insulina que apresenta um quadro de hipoglicemia grave e, por isso, desenvolve uma quadro de crises epiléticas, também não o é. Epilético é aquele paciente que apresenta alguma alteração cerebral que o predispõe a desenvolver periodicamente crises convulsivas, sem que haja alguma agressão ao cérebro para desencadeá-la.

Portanto, nem toda crise convulsiva é causada por uma quadro de epilepsia. Podemos citar algumas doenças e alterações que podem provocar crise convulsiva sem que se caracterizem como um quadro de epilepsia:

- Meningite 
- Febre 
- Drogas
- Hipoglicemia
- Anóxia (falta de oxigênio)
- Traumas
- Desidratação grave
- Insuficiência renal avançada
- Alterações hidreletrolíticas (alterações nos níveis dos sais minerais no sangue, como o sódio, por exemplo).

Só é considerado portador de epilepsia, o paciente que já apresentou mais de um episódio de crise convulsiva sem causa aparente. 

Tipos de crise convulsiva 

Quando falamos em crise convulsiva, convulsão ou ataque epilético, logo vem à nossa cabeça aquela assustadora imagem de um paciente se debatendo todo, babando, com os olhos revirados e com movimentos anárquicos dos membros. Na verdade, isto representa uma crise convulsiva generalizada, chamada de crise convulsiva tônico-clônica. É apenas um dos vários tipos de crise convulsiva existentes. 

As crise convulsivas (crises epiléticas) são divididas em dois grupos: crise convulsiva parcial e crise convulsiva generalizada.

a.) Crise convulsiva parcial

A crise epilética parcial é aquela que ocorre quando os impulsos elétricos anômalos ficam restritos a apenas uma região do cérebro. 

É chamada de crise epilética parcial simples, aquela que ocorre sem alteração do nível de consciência do paciente. Os sintomas podem ser sutis e dependem da área cerebral afetada. Alguns sintomas que podem ocorrer na crise epilética parcial simples são:

- Movimentos involuntários de parte do corpo
- Alterações sensoriais como do paladar, audição, visão ou olfato.
- Alucinações 
- Alterações na fala
- Vertigens
- Sensação de estar fora do corpo

Muitas vezes os sintomas destas crises parciais simples são tão sutis que o diagnóstico é difícil de ser pensado, até mesmo para o paciente. Às vezes são confundidos com doenças psiquiátricas. 

Nas crises epiléticas parciais complexas, o quadro clínico é mais rico. Ao contrário das crises parciais simples onde o paciente tem plena noção do que está acontecendo, nas crises complexas, o paciente não tem a menor consciência do que está fazendo. Em geral, uma crise parcial complexa é precedida por uma crise parcial simples, recebendo esta o nome de aura. É uma espécie de aviso que a convulsão está chegando. Na crise convulsiva parcial complexa o paciente normalmente apresenta comportamentos e movimentos repetidos tipo beijos, mastigações, andar em circulo, olhar fixo, ficar puxando a roupa, virar a cabeça para um lado e para o outro, esfregar as mãos etc... Tudo de modo inconsciente. Às vezes, o paciente é capaz de obedecer ordens e consegue falar, porém, apresenta um discurso incoerente.

A crise convulsiva parcial complexa costuma durar em média 1 minuto. Quando a crise termina, o paciente retoma a consciência mas costuma estar muito confuso, sem saber o que aconteceu. Geralmente, a última coisa que ele lembra é da crise parcial simples (aura) que antecedeu a crise complexa.

As crises parciais podem anteceder uma crise epilética complexa. na verdade, o paciente pode começar com uma crise parcial simples, evoluir para uma crise parcial complexa e terminar com uma crise generalizada.

b.) Crise convulsiva generalizada

Na crise convulsiva generalizada, os dois hemisférios do cérebro são afetados. 

Uma das manifestações possíveis da crise epilética generalizada é a crise de ausência, também chamado de pequeno mal. Na crise de ausência o paciente perde contato com o mundo externo e fica parado com o olhar fixo. É possível haver alguns automatismos como picar de olhos repetidamente, como ocorre na crise parcial complexa. A diferença é que a crise de ausência é mais curta, dura cerca de 20 segundos, pode ocorrer dezenas de vezes ao longo do dia e o paciente não apresenta aura, nem está confuso ao final da crise. Às vezes, o paciente retoma a atividade que estava fazendo como se nada tivesse acontecido.

Em pessoas com epilepsia, flashes luminosos repetidos ou hiperventilação (respirar rapidamente durante algum período de tempo) podem desencadear crises generalizadas do tipo ausência. Este tipo de crise é mais comum na infância, podendo desaparecer após a adolescência.

O tipo mais conhecido de crise convulsiva, chamado também de ataque epilético ou grande mal, é a crise convulsiva tônico-clônica. É o quadro mais assustador. O paciente subitamente apresenta uma rigidez dos músculos e imediatamente cai inconsciente. Segue-se, então, movimentos rítmicos e rápidos dos membros. O paciente perde controle dos esfíncteres, podendo se urinar ou evacuar. É comum salivar e morder a língua durante a crise, o que pode provocar um espumamento avermelhado.

A crises tônico-clônicas duram entre 1 a 3 minutos. Ao final, o paciente apresenta cansaço extremo, sonolência, confusão e amnésia, não lembrando do que ocorreu.

Outro tipo de crise epilética generalizada é a crise convulsiva atônica. Se manifesta como uma súbita perda do tônus muscular, fazendo com que a pessoa caia. É muito curta, dura menos de 15 segundos, porém, devido às quedas, costuma causar traumatismo sérios.

c.) Status epilepticus

A maioria das crises convulsivas são auto-limitadas e não precisam de tratamento médico imediato. Chamamos de status epilepticus quando a convulsão não cede após vários minutos ou quando o paciente apresenta quadros repetidos de crise sem que tenha havido tempo dele recuperar a consciência entre os episódios. Geralmente, crises convulsivas que duram mais de 5 minutos são consideradas emergências, pois colocam o cérebro em risco, e devem ser tratadas com drogas para abortá-las.

d.) Convulsão febril 


A convulsão febril ocorre normalmente em crianças entre seis meses e seis anos de idade (pico entre 1 ano e 1 ano e meio) que apresentam quadro febril acima de 38ºC. Apesar de ser um quadro assustador para os pais, é benigno e não causa lesão cerebrais na criança. É comum e ocorre em até 5% das crianças.

Se a criança só tem convulsão quando está febril, ela não é considerada como portadora de epilepsia.

O que desencadeia a convulsão é a febre, independente da sua causa. A crise pode ser parcial (mais comum) ou complexa, inclusive com crises tônico-clônicas. A convulsão febril costuma ser mais demorada do que as crises nas epilepsias. Podem durar até 15 minutos. Não se assuste se a criança apresentar fraqueza em um dos membros logo após o fim das crises. É temporário.

Não adianta dar banho em água fria ou encher a criança de anti-térmicos. Isso não impede o aparecimento das crises. também não é necessário usar drogas anti-epiléticas. O quadro é benigno e os efeitos colaterais não justificam o seu uso.

A convulsão febril não traz maiores complicações e desaparece com a idade. O ideal é sempre levar a criança ao pediatra após a crise para que ele possa investigar o motivo da febre e confirmar que se trata apenas de convulsão febril, e não de epilepsia.

O que fazer quando presenciar uma crise convulsiva?

Primeiro de tudo, mantenha a calma. A imensa maioria das crises são auto-limitadas, desaparecendo espontaneamente.

É importante saber que uma crise generalizada pode ser precedida por crises parciais, por isso, se o paciente estiver em pé ou sentado, o ideal é deitá-lo para evitar quedas. Afaste objetos que possam vir a machucá-lo.

Se o paciente estiver tendo uma crise convulsiva tônico-clônica, eis alguns conselhos:

- Não tente imobilizar seus membros. Deixa o paciente se debater. Procure apenas proteger a cabeça com uma almofada
- Se o paciente estiver se sufocando com a própria língua, NUNCA ponha a mão dentro da boca para tentar ajudá-lo. Ele pode subitamente contrair violentamente a mandíbula, e você pode perder os dedos. O simples ato de girar a cabeça para o lado é suficiente para a língua cair e desobstruir as vias aéreas.
- O ato de virar a cabeça para o lado também impede que o paciente se afogue na própria saliva.
- Se a crise estiver durando mais que 3-5 minutos, ligue para algum serviço de socorro médico.


- Após a crise é normal o paciente permanecer desacordado por algum tempo. Coloque-o de lado e deixe-o dormir.
- Nunca ofereça nada para beber ou comer logo após a crise. Nesta fase o paciente pode não conseguir engolir direito, sofrendo risco de aspirar o alimento ou o líquido.