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domingo, 4 de abril de 2010

Tétano

O Tétano é uma doença infecciosa grave que frequentemente pode levar à morte. É causada pela neurotoxina tetanospasmina que é produzida pela bactéria anaeróbica Clostridium tetani.

HISTÓRIA

A primeira ocorrência registada de tétano é de autoria de Hipócrates, que escreve no século V a.C., dando inúmeras descrições clínicas da doença. Contudo a sua etiologia (causa) foi descoberta somente em 1884, por Carle e Rattone. A primeira imunização passiva contra a doença foi implementada durante a Primeira Guerra Mundial.

Durante muitos anos o antídoto era feito por injecção de toxina em cavalos, e o seu soro rico em anticorpos antitoxina era administrado aos doentes. Contudo este processo gerava reacções imunitárias contra os anticorpos do cavalo, um problema denominado de doença do soro. Por essa razão, cada pessoa só podia receber antídoto uma vez na vida, pois a reacção do seu sistema imunitário contra o anticorpo de cavalo era quase sempre fatal à segunda toma.

CLOSTRIDIUM TETANI


Clostridium tetani com esporos, em baqueta de tambor

Os Clostridium tetani são grandes bacilos Gram-positivos, com cerca de 8 por 3 micrómetros, produtores de esporos e toxinas, relacionados com o género Bacillus, cujo habitat normal é o solo. São móveis, possuindo flagelos. Formam esporos em condições adversas, que se localizam na extremidade do bacilo, dando-lhe um aspecto semelhante a um fósforo ou baqueta de tambor.



A toxina produzida pela bactéria, tetanospasmina, têm duas porções, sendo uma toxina AB. A porção B é especifica para receptor existente nas suas células alvo, provocando endocitose e entrada no citoplasma. A porção A, a toxina propriamente dita, é uma metaloproteinase que destroi as proteínas do sistema de exocitose de neurotransmissor nos neurónios inibitórios dos neurónios motores. A perda dos sinais inibitórios leva à activação extremamente frequente dos neurónios motores, causado espasmos nos músculos por eles controlados. A morte advém da contracção desregulada dos músculos da respiração e consequente asfixia.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Vacina monovalente contra a poliomielite (VIP)


A poliomielite é uma doença infecciosa causada pelo poliovírus (sorotipos 1, 2 e 3), que pode determinar paralisia flácida (permanente ou transitória) ou óbito. A infecção é mais comum em crianças ("paralisia infantil"), mas também ocorre em adultos.


As vacinas disponíveis, Sabin (oral, com vírus atenuado) e Salk (injetável, com vírus inativado), produzem imunidade contra os três sorotipos do poliovírus e têm eficácia comparável. Os indivíduos que recebem a Sabin elimininam os vírus junto com as fezes por cerca de seis semanas, o que pode levar a uma "vacinação" secundária de outras pessoas.


Os indivíduos saudáveis que recebem a Sabin podem, raramente, desenvolver poliomielite induzida por mutação ("reversão) dos próprios vírus atenuados componentes da vacina, principalmente quando recebem a primeira dose.


A poliomielite vacinal tem evolução clínica idêntica à causada pelo vírus "selvagem", podendo causar paralisia flácida (permanente ou transitória) ou, eventualmente, evoluir para o óbito. O risco de poliomielite vacinal é maior em adultos e pessoas com imunodeficiência, causada por qualquer doença ou medicamento.


Os adultos que nunca foram vacinados, quando viajarem para áreas de risco (como o Continente Africano), devem receber, preferencialmente, pelo menos nas duas primeiras doses, a vacina com o vírus inativado (Salk), pelo risco de polio vacinal, que embora pequeno, é maior neste grupo do que em crianças.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Men C (Vacina contra a doença invasiva por Neisseria Meningitidis)

O que é a Meningite?

Meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinal.

Nesseria meningitidis C

A Meningite pode ser viral ou bacteriana e estar relacionada a outras infecções, tais como:
-Papeira;
-Sarampo;
-Rubéola;
-Infecções bacterianas (hemófilos, pneumococos e meningococos).

Sinais e Sintomas
- febre;
- dor de cabeça intensa;
- náuseas;
- vómito;
- rigidez de nuca;
- sensibilidade à luz (fotofobia);
- alteração do estado de consciência;
- crianças menores de um ano, um sinal pode ser o abaulamento da fontanela (moleira) e o choro persistente.

Sequelas da Meningite
-Cegueira;
-surdez;
-deficiência mental e paralisia cerebral;
-epilepsia;
-hidrocefaleia;
-aumento da pressão intracraniana;
-neuropatia;
-vasculite;
-febre recorrente;
-efusão subdural;
-SIADH;
-diabetes insipidus, etc.

A sequela depende de uma reacção individual do paciente e pode ser evitada se houver um diagnóstico precoce da meningite.

Meningite C

A infecção meningocócica C, não é uma infecção vulgar, mas quando se instala causa doenças muito graves, tais como:
- Meningite (inflamação das membranas que cobrem o cérebro);
- Septicemia (infecção ou envenenamento do sangue).

Aproximadamente 1 em cada 5 crianças que sobrevivem à infecção acabam por sofrer de problemas graves como nos outros tipos de meningite, entre eles:
- Lesões nas meninges;
- Amputações;
- Danos cerebrais.  

Até há pouco tempo, não havia nenhuma vacina capaz de proteger eficazmente as crianças com menos de 2 anos, justamente a faixa etária de maior risco.

Agora bebés e crianças com mais de 2 meses de idade também têm protecção.

Prevenção da Meningite C - Vacinação

A Wyeth Vacinas desenvolveu uma vacina contra a meningite C que pode ser aplicada nas crianças a partir de 2 meses do nascimento, adolescentes e adultos, evitando que elas possam ser vitimadas pela meningite C.

Em Portugal estão autorizadas desde 2001 as vacinas conjugadas Meningitec, Meninvact/Menjugate e a NeisVac-C.




O actual PNV que entrou em vigor em Janeiro de 2006 introduz esta vacina contra a doença invasiva por Nesseria meningitidis C ( MenC), sendo recomendado uma série de três doses.

1ª Dose:

- três meses de idade

2ª Dose:

- cinco meses de idade

3ª Dose:

- quinze meses de idade.

Efeitos Secundários da MenC

A vacina é muito segura mas, como qualquer medicamento, pode causar efeitos secundários, como por exemplo:
- reacções alérgicas;
- vermelhidão e dor no local da injecção;
- febre.

Reacções pós vacinais -sinais de alerta

Os sinais de alerta, perante uma reacção moderada ou grave podem ser:
- Febre alta, convulsões ou alterações do comportamento;
- Sinais de reacção alérgica grave, tais como: dificuldade respiratória ou respiração ofegante, rouquidão, urticária, palidez, fraqueza, batimentos cardíacos acelerados ou vertigens.

Papel do Enfermeiro na Vacinação da Men C

Com a finalidade de salvaguardar a Saúde Pública, é da competência do enfermeiro, particularmente do que desenvolve a sua actividade em Cuidados de Saúde Primários, promover a imunização individual, de forma a impedir a propagação de epidemias e contribuir para a erradicação de doenças infecciosas e infecto-contagiosas graves.

Desta forma, aquando da vacinação contra a Meningite C, o enfermeiro tem o papel de informar o utente ou responsável pelo utente sobre a finalidade e eficácia da vacina, as datas das próximas imunizações, as possíveis reacções pós-vacinais, e questionar o utente/familiares sobre reacções anteriores a certas vacinas.










quarta-feira, 3 de março de 2010

VHB (vacina monovalente contra a Hepatite B)


Hepatite B

É uma inflamação do fígado causada pelo vírus da Hepatite B (HBV).


Como se adquire?

  • Transfusões de sangue;

  • O uso compartilhado de seringas;

  • Relações sexuais sem preservativo;

  • Contacto acidental de sangue ou secreções corporais contaminadas pelo vírus, com mucosa ou pele com lesões também transmitem a doença;

  • Gestantes contaminadas podem transmitir a doença para os filhos.
A melhor forma de ficar protegido contra determinadas doenças é cumprir o calendário de vacinação recomendado pelo Plano Nacional de vacinação.

Locais de administração

  •  12 meses de idade: músculo vasto externo, na face externa região antero-lateral da coxa direita.

  • ≥ 12 meses de idade: músculo deltóide, na face externa região antero-lateral do terço superior do braço direito.


Modo e local de aplicação da injecção


Músculo vasto e externo:

Posicionar a criança em decúbito supino, lateral ou sentada . O decúbito é a melhor posição por estar o músculo mais relaxado.

Dividir em três partes iguais o espaço entre o trocanter maior do fêmur e a rótula, e traçar uma linha média horizontal que divida a parte externa do músculo.



Músculo deltóide

É utilizado na vacinação de adultos e crianças maiores de 18 meses nos quais o músculo está desenvolvido, e somente se a quantidade de líquido a aplicar é pequena (0,5 ml ou menos). Em crianças menores de 18 meses, nos quais o músculo não está bem desenvolvido, não se pode assegurar uma boa absorção e portanto não se recomenda. Para localizar o local da injecção, traça-se um triângulo com base na borda inferior do acrómio e o vértice, abaixo o local de inserção do músculo deltóide. O espaço compreendido pelo triângulo é onde se pode injectar.

Reacções pós-vacinais

  1. Reacções locais ligeiras, típicas de inflamação. (sinais de Celsius: tumor/edema, calor, rubor e dor) 5% das crianças;

  2. Febre (superior a 37,5° C), com duração de um ou dois dias, que ocorre em cerca de 1% a 6% dos vacinados;

  3. Endurecimento no local da injecção 15% dos adultos.
Reacções pós-vacinais

As reacções sistémicas notificadas para esta vacina são ligeiras a moderadas, e, habitualmente, cedem em 24 a 48horas. São elas:

  1. mal-estar,

  2. náuseas,

  3. fadiga,

  4. cefaleias,
Embora muito raramente, têm sido descritos alguns casos de choque anafilático após a administração da vacina. (incidência estimada de um caso por 600000 doses).

  1. tonturas,

  2. sonolência,

  3. irritabilidade,

  4. mialgias.
Precauções


  1. Recém nascidos com menos de 2000 kg à nascença;

  2. Trombocitopenia;

  3. Diátese hemorrágica;

  4. Alterações da coagulação ou terapêutica anticoagulante;

  5. Doença aguda grave com ou sem febre.
Contra-indicações

Reacção anafilática a:


  1. Uma dose anterior da vacina VHB;

  2. Algum dos constituintes da vacina;

  3. Leveduras (fermento de padeiro).
Não é recomendada a determinação de marcadores serológicos antes ou depois da vacinação com VHB, excepto para determinados grupos de risco.










terça-feira, 2 de março de 2010

Hib ( vacina monovalente contra a doença invasiva por Haemophilus influenzae b)


A vacina Hib protege as crianças como a meningite causada pelo germe Haemophilus influenza tipo B conhecido como germe Hib. Embora o termo "influenzae" faça parte do nome desta patologia, o germe Hib não provoca gripe. As infecções por Hib são muito mais sérias.

O Hib era a causa mais comum de meningite bacteriana nas crianças com idades compreendidas entre os 2 meses e os 5 anos. A meningite é uma infecção grave do fluido e cobertura da espinal medula. A meningite pode causar danos cerebrais, problemas de desenvolvimento e aprendizagem, cegueira e surdez.

Também pode causar infecções sérias de garganta, perto da laringe - epiglotite - com consequente comprometimento da respiração na criança; infecçõe snos pulmões (pneumonia), infecções ósseas e articulares.

As crianças que frequentam Infantários (5 anos) têm mais possibilidade de contraí-la pois esta é transmissível através da tosse e espirros.

A vacina tem uma eficácia de protecção de 95%. Não previne, no entanto, a meningite provocada por outros tipos de germes.

A criança deve ser vacinada aos 2 meses- 4 meses- 6 meses- 18 meses. Habitualmente esta é uma vacina que é conjugada com a DTPaVIP.

Se por qualquer motivo a sua criança não foi vacinada na devida idade, não se alarme, pois existem esquemas tardios de vacinação. Entre os 15 meses e os 5 anos, as crianças deveram ser vacinadas com uma só dose.

Os habituais efeitos secundários da administração desta vacina passam pela dor, rubor, calor e inchaço no local da injecção. Poderão surgir ligeira febre, erupções cutâneas ou urticária.

Se ocorrerem os seguintes sinais/sintomas dentro dos 3 dias consequentes à administração, deverá dirigir-se ao hospital:

  • febres altas (Tax=40ºc) 

  • convulsões ou ataques

  • palidez extrema e sonolência séria

  • urticária

  • incheços no rosto ou boca

  • dificuldades de respiração

  • outros
Se a sua criança tiver algum destes sinais/sintomas, no dia indicado para a vacinação, poderá ter de atrasar o seu esquema de administração:

  • febres altas ou infecçãoes mais sérias do que uma simples constipação

  • reacção alérgica grave (anafilaxia) a esta vacina

  • reacção alérgica severa a qualquer componente da vacina
Depois de vacinada certifique-se que a enfermeira registou a imunização no Boletim Nacional de Vacinação.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Plano Nacional de Vacinação


A ilustração acima serve para lembrar que, antes de pensarmos nas “novas” vacinas, devemos fazer com que as nossas crianças cumpram o Calendário Nacional de Vacinação, que, curiosamente, é um dos melhores da Europa. Isto é, na ânsia de procurar as novidades, a alguns esquecerá que o mais importante, em termos de vacinação, está contemplado no Plano Nacional, que é gratuito.

Difteria
A DIFTERIA, conhecida vulgarmente como crupe, provoca uma doença bacteriana altamente contagiosa que começa com uma infecção na garganta e pode progredir rapidamente causando problemas respiratórios, cardíacos e neurológicos. Em casos mais graves, a difteria pode ser fatal.

Tétano
O TÉTANO é causado por uma bactéria que pode ser encontrada no solo, fezes, pedaços de madeira e de metais. Geralmente entra no corpo através de um corte ou de uma ferida contaminada. Mesmo os pequenos cortes causados pelas brincadeiras do seu filho podem vir a infectar. O tétano é uma doença grave que afeta os músculos provocando espasmos musculares dolorosos e-pode, freqüentemente, causar problemas respiratórios e morte.

Coqueluche
A COQUELUCHE é uma doença bacteriana altamente infecciosa que provoca um extremo desconforto. As crianças ficam exaustas devido aos longos acessos de tosse seguidos freqüentemente de vômitos. É particularmente grave nas crianças com menos de um ano de idade.

Hepatite B
A HEPATITE B é uma infecção viral do fígado e afeta pessoas em todo o mundo, sendo responsável por cerca de 1 milhão de mortes por ano. A transmissão do vírus é extremamente fácil e ocorre através de líquidos corporais contaminados, principalmente do sangue. Em lactentes e crianças, a hepatite B geralmente é assintomática. Porém até 90% dos recém-nascidos infectados tornam-se portadores crônicos do vírus da hepatite B, podendo desenvolver graves doenças hepáticas.

Hib
Conhecida como Hib, o Haemophilus influenzae tipo b causa infecção generalizada, pneumonia, celulite e epiglotite aguda entre outras doenças. É a bactéria que com maior freqüência causa meningite bacteriana em crianças com menos de 5 anos de idade. A vacina é a principal inimiga do Hib, pois, nas doses recomendadas, impede que a criança desenvolva doenças invasivas causadas por essa bactéria.

Poliomielite
Responsável por uma doença grave, o vírus da poliomielite tem três tipos: 1, 2 e 3. Todos os casos de poliomielite relatados foram provocados pelo vírus vivo atenuado presente na vacina oral (vacina Sabin tradicional).


De qualquer forma, hoje em dia não é sequer ético não mencionar aos pais ou prestadores de cuidados, a existência de outras vacinas, que devem ser prescritas/administradas conscientemente, tendo em conta factores tão variados que vão da idade da criança até ao preço versus a eficácia da vacina em questão.

Assim sendo, falemos um pouco das “novas vacinas”, ie, aquelas que têm de ser adquiridas na farmácia, muitas delas não comparticipadas pelo estado e que podem chegar perto da centena de euros por dose.

VACINA CONTRA O PNEUMOCOCO (PREVENAR)
(Administração aos 2,4,6 meses com reforço aos 18 meses)



A polémica tem acontecido, trazida por questões que me parecem predominantemente economicistas, na tentativa de diminuir o valor/interesse desta vacina que protege contra 7 serótipos de pneumococos. Se é certo que tem diminuído a incidência de casos graves de doença provocada por pneumococo, certo é, também, que tal se deve à vacinação. Se fizermos uma comparação, os pediatras já não vêem casos de sarampo há alguns anos; porquê? Porque a vacinação tem sido eficaz. Resumindo: se há menos casos de doença pneumocócica (meningite, sépsis, otite, pneumonia), é porque a vacina está a fazer bom trabalho! Urge continuar a vacinar as nossas crianças com Prevenar! E o governo que reflita da necessidade de introduzir a vacina no PNV!

VACINA CONTRA A HEPATITE A
(Esquema de 2 doses, separadas por 6 a 12 meses)


Não tem indicação universal. Mas, como costumo dizer, a Hepatite A é uma forma de Hepatite, portanto, potencialmente perigosa.
Sendo a transmissão da doença fecal-oral, se não houver outros factores de risco, devem vacinar-se todas as crianças por volta dos 2 a 2,5 anos de idade, altura de início de controle de esfíncteres e, portanto, de aumento do risco de infecção por cuidados de higiene menores inerentes às crianças pequenas ávidas de autonomia.

VACINA DA GRIPE




Da vacinação da gripe, é sempre importante falar “ano a ano”. As indicações, em termos de saúde pública, por vezes mudam, dependendo do tipo de surto esperado para o ano em causa.
De referir apenas que as crianças, por si só, não são grupo de risco, portanto não têm indicação específica para serem vacinadas (excepto os casos de doenças crónicas, etc, casos específicos a definir pelo Pediatra). É verdade que todos gostamos de ver os nossos filhos protegidos! Mas o que talvez muitos não sabem é que, de acordo com as estirpes de vírus isoladas para o ano em curso, cada país tem, de acordo com a OMS uma “quota” de nº total de vacinas para essa época. Isto é, se as vacinas da gripe esgotarem porque se foram prescrevendo a grupos de baixo risco, pode ser que alguém que muito precisa de ser vacinado fique sem o ser… Isto, para além de uma questão de saúde pública, é também uma questão de consciência.

E já agora : lembrar que o pico da gripe vai de Dezembro a Março… por isso, a “histeria” da procura da vacina em Setembro não se justifica

VACINA CONTRA O ROTAVÍRUS
(2 ou 3 doses, dependendo do laboratório, sendo a primeira administrada obrigatoriamente até às 12 semanas)





Alguma controvérsia acerca desta vacina tem muito a ver com o timming de aplicação. Realmente verificou-se um aumento da taxa de Invaginação Intestinal (problema intestinal grave) nas crianças vacinadas após as 12 semanas de idade, daí o limite.
É uma vacina de vírus vivos atenuados, com um número e tipo de serótipos que ainda aguarda averiguação de prevalência em Portugal.

Recomendação: caso a caso.

VACINA DA VARICELA
(Dose única; 2 doses?)




A vacina da varicela é outra que “põe os cabelos em pé” aos especialistas em saúde pública quando confrontados com as prescrições dos pediatras.
A vacina é eficaz. Mas como a vacinação não é universal (não está no Plano), o efeito mais imediato é o de atrasar a média de idades em que a doença naturalmente se apanha. De forma simplificada: se o meu filho anda no infantário onde um quarto das crianças estão vacinadas contra a varicela, ele vai ter menos um quarto de probabilidades de ter a doença; assim sendo, te-la-á, talvez na escola primária. Se na primária acontecer o mesmo, talvez só apanhe na adolescência… E nós sabemos que, quanto mais tarde se apanha a “varicela selvagem”, mais complicada ela é, mais forte e difícil de ultrapassar se torna. Por isso a Direcção Geral de Saúde não recomenda a vacinação contra a varicela, até que a vacina seja incluída no PNV. Eu pergunto: e isso será quando? Se pudermos vacinar, vamos deixar as nossas crianças à espera??

Nota: a Vacina da Varicela é eficaz em caso de contacto com a doença, se administrada nas primeiras 72h após este contacto.

VACINA CONTRA O PAPILOMA VÍRUS HUMANO
(3 doses)




Falo desta vacina pela importância que tem/terá a longo prazo, pois ela já começou a ser introduzida no PNV. Em 2008 foram vacinadas as raparigas nascidas em 1995. E o esquema proguedirá, para a frente e para trás nos anos, por forma a abranger todas as meninas pré-adolescentes num espaço relativamente curto de tempo.
De atentar que esta é uma vacina contra uma doença sexualmente transmissível, por isso o risco de contrair a doença é dos/das jovens sexualmente activas. Penso que o nosso papel passa também por aqui, explicando-lhes que, se existe risco e existe vacina, devem tentar “esperar” até serem vacinadas… (uma técnica de abordagem de adolescente pouco ortodoxa mas… e espero que entendam… em certas circunstâncias, tudo é válido!)

ALGUMAS SUGESTÕES PARA O MOMENTO DA VACINAÇÃO



Aqui vão alguns conselhos para o/a acalmar e ajudar a acalmar o seu filho ou filha durante a vacinação:

* Mantenha-se calmo/a. Tente manter-se descontraído/a e calmo/a enquanto estiver na sala de espera, pois as crianças conseguem sentir quando o pai ou a mãe estão preocupados. Se estiver, de facto, um pouco nervoso/a, respire fundo algumas vezes.

* Distraia a sua criança. É boa ideia levar consigo um brinquedo ou livro de histórias para o Centro de Saúde ou Consultório. Enquanto o Enfermeiro ou Médico estiver a administrar-lhe a vacina, cante baixinho ou leia-lhe com voz suave e reconfortante. Caso não tenha livro ou brinquedo, conte-lhe uma história, faça caretas, brinque com qualquer coisa que faça sorrir.

* Mantenha-se perto. Peça para segurar a sua criança ao colo ou fazer-lhe festas nas costas durante a vacinação. O toque meigo e familiar pode fazer milagres!

* Não tenha pressa. Se a sua criança estiver irritada depois de tomar a vacina, deixe-a acalmar-se durante alguns minutos, antes de sair do Centro de Saúde ou Consultório. Desta forma, a probabilidade de ter receio de voltar, diminuirá.